domingo, 20 de março de 2011

Dia Mundial das Marionetes- 21 de março


Mensagem escrita pelo professor Henryk  Jurkowski 
                               
Estou aqui, na cidade de Omsk, na Sibéria Ocidental. Entro no Museu etnográfico e repentinamente, meus olhos são atraídos por uma grande vitrine onde se encontram dezenas de figuras - tratasse de  ídolos de tribos ugrófinas: os Menses e os Chantes, que parecem saudar cada um dos visitantes. Um impulso interior  empurra-me para responder e eu os saúdo também. São magníficos. Representam um traço permanente da espiritualidade de gerações humanas primitivas. Eles e seu mundo imaginário  são a fonte das primeiras manifestações e imagens teatrais, tantosagradas como profanas. 
As coleções de arte estão cheias de ídolos e de figuras sagradas que gradualmente desaparecem da nossa memória. No entanto, nos museus, há também bonecos que trazem a marca das mãos de seus criadores e seus manipuladores. Dito de outra forma, essas mãos 
tem vestígios da habilidade, da fantasia e da espiritualidade humana.Coleções de Marionetes  existem em todos os continentes e em quase todos os países. São um orgulho para os colecionadores. Constituem espaços de pesquisa, que guardam a memória viva  dando importante prova da diversidade de nossa disciplina. 
A arte, como muitas outras atividades humanas, está sujeita a duas tendências: a coerência e a diferenciação. Hoje vemos que as duas tendências coexistem no nível de atividades culturais. Podemos ver claramente  a facilidade de viajar, tanto por via aérea e na internet,  o que aumenta o número de contatos em diversos congressos e festivais, o que leva a uma maior uniformidade. 
Em pouco tempo viveremos realmente na Cidade Global McLuhan. 


Este fato , não significa que se perdera completamente o sentido da diferença cultural, mas  um grande número de companhias de teatro agora utiliza meios de expressão semelhante. 
Estilos de marionetes  como o ningyo  joruri  de Japão e o wayang de Indonésia foram assimilados na Europa e América. Ao mesmo tempo, grupos asiáticos ou africanos, usam técnicas marionetísticas européias. 
Meus amigos me dizem que se um jovem artista japonês pode ser um virtuoso interpretando  obras de Chopin, um 
americano pode muito bem tornar-se um mestre de joruri ou um  dalang tocando purva wayang. Poderia estar de 
concordo com eles, desde que o marionetista assimile, não só a técnica do bunraku, sino também toda a cultura que está associada. 
Muitos artistas estão satisfeitos com a beleza exterior dos bonecos que, contudo, oferece aos espectadores a oportunidade de descobrir diferentes formas artísticas. Desta forma, o boneco invade novos territórios. Mesmo dentro do teatro de ator, tornou-se uma fonte de metáforas mistas. 
Esta grande expansão da marionete antiga figurativa está ligada a um movimento inversamente proporcional ao espaço  que ocupava anteriormente. Isto é devido à grande invasão do objeto e em maior escala, a tudo o que toca a matéria.Porque todo objeto, toda  matéria, sujeito a uma animação, nos fala e exige seu  direito à vida teatral. Assim, a partir de agora, o objeto substitui a marionete figurativa, abrindo aos  artistas uma forma de uma nova linguagem poética, a uma criação que envolve imagens ricas e dinâmicas.

A imaginária e metáforas do passado, têm sido a característica de cada tipo de boneco, diferentes uns dos outros, tornaram-se hoje, a fonte de expressão de cada titereteiro individual. Assim, aparece, uma nova e singular linguagem  poética, que  não depende da tradição genérica,  mas do talento do artista, de sua criatividade individual. A padronização dos meios de expressão tem 
gerado sua diferenciação. A cidade Global de McLuhan tornou-se seu antípoda.
 Os diferentes meios de expressão se tornaram os instrumentos da palavra individual que prefere sempre 
soluções originais. Fica claro, que a tradição figurativa de marionetes não desapareceu do nosso horizonte. 
E nós queremos que fique para sempre como uma referência de grande valor. 
  Henryk Jurkowski  - 2011 

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